Comecei sem nem mesmo me dar
conta de que era jogo sem volta. Eu não sabia como voltar. (Há meio de
fazê-lo?). O fato é que entrei neste labirinto de signos e discursos
maliciosos. Num dado momento do jogo, supus conhecer aqueles que me
acompanhavam. Tomei parte em muitas
brigas. Fui parte de tantas outras. No final, descobri que tudo não passava de
um teatro de arena. Bonito teatro. Convincente. Comovente. Mas apenas isso: um
circo armado. Uma pena. Quereria eu viver algo mais do que encenações. Entretanto
a realidade pode pintar algo mais brutal e menos poético. Talvez eles estejam
certos quanto ao teatro de arena. Talvez seja melhor aceitar meu papel de
coadjuvante e viver intensamente a farsa. “Não fosse isso, e era menos”,
Leminski me ensinou. Num mundo como o nosso, as possibilidades são deveras
egoístas. Aprendi a ser mais flexível. Talvez pouco mais racional. Mas a poesia
diária é o que me salva... às vezes, de mim mesma.