quinta-feira, 7 de agosto de 2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Meu erro
Eu não acreditei. Difícil imaginar que eu despertaria seu interesse. Logo eu. Depois, brinquei de não
saber. Ignorei o que eu sentia. Disse não, quando, na verdade, meu corpo gritava sim. E agora vou carregar pelo resto da vida a saudade de um futuro nunca vivido. Tudo por causa de um medo que já não existe mais.
sábado, 3 de maio de 2014
Sorte
Com um pouco de sorte, você consegue uma boa nota naquela prova de matemática, achar dinheiro perdido, encontrar o par da meia que está misturado com as roupas, não pisar em cocô de cachorro, não derrubar seu celular enquanto desce a escada. Com um pouco de sorte e atenção você consegue passar de primeira no exame de direção, aprender a tocar violão, cantar toda aquela música em francês, aprender latim, dançar um tango argentino. Com um pouco de sorte e dedicação, consegue amigos para a vida inteira, aprender corte e costura, escrever uma canção, conseguir um emprego bacana. Com um pouco de sorte talvez consiga que seu amor seja correspondido.
Esquerdo
Perto da casa em que morava
quando criança havia um rio. Íamos até lá todas as tardes. O rio que passava
perto de casa é uma de minhas melhores lembranças. Meu cachorro costumava nadar
conosco. Eu nunca aprendi a nadar. Mas meu cachorro sempre soube – disso. Era mais
fácil viver. Não havia isso de existencialismo. As coisas são menos caóticas
quando não se pergunta “por que”, sabe? A naturalidade agora provoca susto. Sou
uma criança assustada. Assim mesmo, fora do eixo temporal. Foi lá também que
quebrei o braço direito. O sangue escorria e deixava marcas na areia. Um longo
caminho pontilhado de vermelho até a casa amarela e grande. Até mesmo essa
memória não é ruim, porque não é tátil. Ela é visual. E vermelho é cor bonita
de se ver. Vai ver seja por isso que a vida desandou pra mim. Eu que sou destra,
nunca compreendi viver assim do lado esquerdo.
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