Ele entrou pela porta dos fundos. Era domingo de manhã. Não
me deu oportunidade de pedir explicações. Apossou-se dos meus livros, discos,
DVDs. Aos poucos fui me acostumando com aquela figura que perseguia os meus
passos pela casa. Líamos juntos, assistíamos ao meu seriado favorito. Ele
dormia no meu quarto. Distante. Muito distante de mim.
Até que um dia, decidiu ir embora. Deixou-me uma carta.
Vou-me porque já não a desejo mais por perto. Por favor, saia de minha casa.
Não sei quando nem por que você decidiu entrar, mas assim que eu voltar de
férias, quero minha vida de volta.
Agora já não sei o que faço com a ilusão.
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